Para que serve o Nacional da Barra Funda?

Existe um clube paulistano que completou 100 anos em 2019: Nacional Atlético Clube.

Não se trata apenas de um vizinho dos CTs do Palmeiras e do São Paulo. A instituição possui importância histórica para o futebol e a economia do país. O Nacional foi fundado em 16 de fevereiro de 1919 como São Paulo Railway Athletic Club- clube da companhia inglesa que possuía a concessão do sistema ferroviário do Estado de São Paulo e administrava a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (passando por São Paulo), principal via estadual de transporte.

Sua origem é ainda mais antiga: em 1894, Charles Miller, filho de um diretor da São Paulo Railway, desembarcou no Brasil após uma temporada na Inglaterra. Na bagagem, trouxe uma bola de futebol e as regras do tal esporte. Disposto a implantar o futebol no Brasil, organizou a primeira partida no país entre os funcionários da São Paulo Railway e da São Paulo Gás Company.

Em 1903, os funcionários também quiseram participar da “brincadeira”. Com o passar dos anos, os operários da São Paulo Railway e seus familiares aprenderam o esporte com os aristocráticos diretores da companhia, entre eles Miller. Mas o futebol era voltado a uma restrita elite. Somente com o passar dos anos foi admitido um “grêmio futebolístico” de operários na companhia. Primeiro em 1915, na cidade de Santos, e depois com a mudança em 1919 para São Paulo.  Nascia oficialmente o São Paulo Railway Athletic Club.

FIM DA CONCESSÃO. BYE BYE ENGLAND.

No ano de 1946, a concessão da São Paulo Railway expirou e a ferrovia foi nacionalizada. No ano seguinte, o clube mudou o nome para Nacional Atlético Clube e agora precisaria sobreviver com as próprias pernas. Não teria mais a ajuda do “pai inglês”.

Sem os investimentos da companhia, o clube sobrevive a duras penas. Entre 1953 a 1955 chegou a se licenciar das competições profissionais. Em 1959 disputou pela última vez a Primeira Divisão do Campeonato Paulista.

Até os dias de hoje o clube segue lá na Barra Funda. Meio quieto, mas segue lá. Com seu estádio Nicolau Alayon, inaugurado em 1938, em um área fabril cedida pela São Paulo Railway no ano de fundação. Um espaço para os honrosos “matches” da equipe dos operários.

Em 2017, talvez tenha marcado o seu maior gol extracampo: o estádio foi tombado pelo Patrimônio Público. Está preservado da especulação imobiliária que olhava com enorme ganância o terreno em uma região cada vez mais valorizada. Dessa vez a grana não conseguiu destruir esta coisa bela.

Engana-se quem pensa que sua contribuição foi dada apenas no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. A escolinha do Nacional chegou a ser uma das melhores do estado de São Paulo. Passaram pelas categorias inferiores jogadores como Deco, Dodô, Magrão (goleiro do Sport), Cacau e muitos outros que deram seus primeiros chutes no “Naça”.

A QUEDA DO NACIONAL. MAIS UMA

Infelizmente, a agremiação não pegou o trem da história. No último sábado (30), perdeu para o Juventus em casa e foi rebaixado da Segunda para a Terceira Divisão do Campeonato Paulista. O clube da Mooca poderia ter sido mais solidário. Embora mais charmoso e adotado por todo um bairro, o Juventus sabe o que é ser um pequeno em uma metrópole que parece pouco se importar com sua própria história.

Mas sempre há o ano que vem. E lá estará o Nacional com suas camisas brancas e azuis correndo atrás de uma bola. Meio sem rumo, ignorado pela mídia, com alguma melancolia, para cada vez menos torcedores, mas se recusando a desistir. Porque, no final das contas, o futebol é como a vida: o que importa é o trajeto e não a estação final.